sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Homens fazem sexo e Mulheres fazem amor: Besteira (2)!


E lá vamos nós com mais um livrinho de auto-ajuda, o famoso "Porque homens fazem sexo e mulheres fazem amor?" de Alan e Barbara Pease. Nesse caso dois espertinhos, que se valem de imagens consolidadas numa sociedade ocidental patriarcal e com anos e anos de machismo correndo solto para desfiar um rosário de bobagens sobre os relacionamentos afetivos entre os homens pervertidos e as mulheres românticas.
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Homens fazem sexo? Óbvio! Se não fizessem, vocês mulheres seriam as primeiras a reclamar e a procurar um Ricardão para dar conta do recado. Porque na atualidade, desde a liberação feminina dos anos 1970, é isso que vocês também buscam: o exercício pleno da sexualidade, sem tabus, com orgasmos múltiplos e se possível sexo tântrico para prolongar o prazer. Querem preliminares, sexo oral e homens equipados com "roscas de média à grande e com boa espessura". Nada de dedal ou lápis Faber Castel. E trocam de parceiros como trocam de roupa ou de sapatos, para alcançar esse objetivo. Então, não posem de "caipiras românticas à espera do príncipe encantado" porque isso não cola mais.
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O livro dos Pease não leva em consideração essas mudanças da pós-modernidade, apenas reforça mitos e idealizações tolas. Homens gostam de sexo sim, são atraídos por corpos e visual que desperte a libido, provoque ereção, enfim sejam desejáveis. Mas não somos somente isso, também nos apaixonamos e quase nunca pelo padrão midiático da "magra-gostosa-loira-linda". Gostamos das baixinhas, das gordinhas, das mulheres com sorrisos tortos, perfumadas, desastradas, femininas, bem humoradas, inteligentes, independentes, que não ficam "miando todo o tempo", cabelos pintados e por aí vai. E fazemos sexo e fazemos amor também. Sexo selvagem, sob e sobre a mesa, no banheiro, na pia da cozinha, no elevador, na escada, na garagem, no carro...e amor preocupado com a parceira, cheio de carícias e chamegos até que ela atinja o clima e não precise dar uma de Meg Ryan em "Harry & Sally" fingindo um orgasmo.
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Apaixonados somos tolos, intensos, até românticos/melosos, ciumentos/possessivos, carinhosos, preocupados, dedicados, compreensivos, mas continuamos gostando de cerveja, futebol com os amigos e detestando as TPM's e discussões da relação que vocês mulheres sempre nos impõem. E vocês nos julgam preciptadamente, nos condenam, nos fazem sofrer, são vingativas, querem nos moldar às suas vontades, são controladoras, possessivas (mesmo quando o relacionamento já terminou) e extremamente neuróticas/contraditórias em palavras e ações. Nos enlouquecem e depois...choram!
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Vocês querem um homem másculo como o "Wolverine", bonito como o Brad Pitty, bem sucedido financeiramente como Roberto Justus e romântico como Fernando Pessoa. Digo logo, não existe tudo isso num homem só e mesmo que existisse não haveriam muitos exemplares por aí. Nós arrotamos depois da cerveja ou da coca-cola, coçamos o saco em público, olhamos para bundas e seios fartos na rua, não lembramos datas de aniversários de namoro, casamento e genéricos, só fazemos a barba diáriamente se o emprego obrigar, ralamos pra ganhar o salário do final do mês, adoramos jeans surrado e t-shirts velhas, de preferência com buraquinhos, e taxamos pejorativamente de Emos ou Metrossexuais os excessos de vaidade masculina. Pode até ser que façamos poesias, mas será por nossa vocação pessoal e particular e não apenas por romantismo. Poderemos até ser românticos, mas se vocês reclamarem da "melosidade" não deverão mais esperar manifestações públicas porque nos fecharemos como ostras e nem pé de cabra nos abrirá.
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Somos o que somos, homens e/ou mulheres e ninguém mudará ninguém. Temos nossa identidade, forjada com nossas experiências ao longo da vida. Querer apagar isso para enquadrar o outro em modelos pré-concebidos e querer brincar de Falcon e Barbie e eu particularmente sempre preferi Comandos em Ação.

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