domingo, 27 de setembro de 2009

Sexo em banca de jornal



"E quando dei por mim, Anton, aquele homem jovem, másculo, viril, com o cheiro almíscarado da loção pós-barba estava por trás de mim, roçando aquelas mãos fortes em meus quadris, fazendo-me sentir uma intensa corrente elétrica que subia por todo meu corpo, e suas mãos foram deslizando até encontrarem meus seios fartos já tesos de tanto desejo, enquanto sentia a pressão de seu membro ríjo em minha cintura...ahhhh"
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Calma! Sossega o facho aí, toma um banho gelado, o Blog não resolveu investir na pornografia não! Mas o que é isso afinal? Há ídos tempos atrás editoras resolveram investir nesse filão literário, vendendo "sexo em banca de jornal" para solitárias, solteironas ou virgens tímidas. Obras estrangeiras traduzidas destinadas ao público feminino e por isso com indicativos títulos para suas coleções: "Bianca", "Sabrina", "Júlia" e derivados...para criar uma identificação com suas leitoras.
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Isso foi extremamente danoso para nós homens, porque aliando-se à perspectiva do cinema "mela calcinha" e dos dramalhões novelísticos estilo mexicano ou "Days of our lives" (caramba, a praga da novela ficou mais de 22 anos no ar e com audiência!!! Só mesmo mulheres para agüentarem um porre desse!!), erigiram um "modelo de homem ideal", do "amor à primeira vista" (ou ao "primeiro tesão"), do macho com corpo sarado, do cara "com pegada", que amava mas relutava a deixar às claras seu sentimento e quando o fazia era uma explosão de prazer e felicidade. Mudavam-se as autoras (a maioria feminina - eu cá ainda desconfio que era uma só usando vários pseudônimos), os títulos, paisagens, personagens, mas a essência era a mesma: amor idealizado permeado por sexualidade surreal.
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Como sei disso? Como um bom "observador do elemento feminino" fiz o teste e comprei uns livros desses num sebo há algum tempo. Nas bancas de jornal estão muito caros, mas nos sebos você encontra um pacotão por uma bagatéla, claro que corre o risco de estar meio ensebado, afinal, sabe lá de forma essas leituras terminaram...mulheres solitárias, vibradores...tcs tcs. Mas de qualquer forma, não deixa de ser um bom laboratório para compreender melhor a frustração de 80% das mulheres conosco na cama e o porque dos famigerados "orgasmos inventados".
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Criam-se estereotipos e no final é isso que as mulheres querem, uma cena quente, forte, mas ao mesmo tempo em câmera lenta, um homem que a pegue por trás e a possua direto, mas ao mesmo tempo preocupe-se com as carícias preliminares e engraçado que nunca usam preservativos nesses livros...enfim, uma contradição sem tamanho!
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E em alguns os homens "apaixonados ao extremo" sentem tesão mesmo deparando-se com suas amadas cobertas de lama, poeira, suor, depois de uma aventura nas trilhas do Congo e resolvem fazer amor ali mesmo no mato, dada a ereção que sofrem, mesmo correndo o risco de serem atacados por animais ferozes (isso decididamente é risível e ridículo demais!).
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Pois bem, moças desculpe decepcioná-las mas nenhum homem tem tesão ao terem essa visão do caos. Homens só latejam por uma pele limpa e perfumada, um corpo bem delineado (não importa de magra ou gordinha), mas com uma roupa não vulgar, mas sensual, com cabelos razoavelmente cuidados (Não precisa ser uma escova progressiva, mas ninhos de ratos nos assustam!). Freiras e executivas nos cortam o tesão (à menos que seja combinado enquanto fantasia sexual e que sejam safadinhas!).
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Imaginem a cena: "um marido chegando do trabalho, cansado de um dia exaustivo no escritório (apertado pela gravata), chateado com o chefe e deparando-se com a esposa com o cabelo emafronhado, com cheiro de comida engordurada ou detergente de limpeza, gritando com as crianças correndo como loucas pela casa atrás do cachorro!" É óbvio que não haverá qualquer possibilidade de tesão aí e será essa imagem que se cristalizará no imaginário dele, diferentemente da Srta. Meiraline, secretária júnior, com aquele perfume gostoso, aquelas roupas justas num corpo malhado de academia. Mesmo que o marido seja um gordo, careca, chegará um tempo em que ele fará sexo com a esposa pensando na Srta. Meiraline, porque ela lhe dá ereção, ao contrário da esposa.
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Ok, ok, as feministas de plantão me chamarão de "porco chauvinista" e dirão que a mulher chega a esse estado para manter a casa e os filhos, enquanto o safado do marido está no emprego desejando outras. No plano do discurso vocês têm razão, mas isso não muda os fatos e os fatos são estritamente o que relatei acima. Então porque mesmo assim, as esposas insistem nessa vida sofrível? Porque não dão seu grito de liberdade e subvertem isso?
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Aí vocês mulheres descobrem que a vida não é como em Julia, Sabrina ou Bianca, mas sabe o que é pior? Ficam esperando que um dia apareça um "Anton" em suas vidas e fazem sexo com seus maridos imaginando o tal galã. Mas digo lá, ele não vai aparecer. Mesmo o marombado instrutor da academia (que geralmente possui uns neurônios à menos em função da cessão de espaço aos músculos) não será o 'homem ideal'. Talvez até o sexo seja bom, selvagem, prazeiroso, mas ele dormirá logo em seguida, trocará seu nome, não ligará no dia seguinte ou só a verá como um pedaço de carne pra satisfazer sua libido carnívora. Não será o companheiro para bons e maus momentos, distante ou próximo, será apenas mais um personagem nos lençóis amarrotados.
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Mas no final das contas, talvez tudo se resuma mesmo à isso: sexo e o amor romantizado seja apenas uma trilha sonora para elevar a excitação. Quem pode saber, afinal, mulheres modernas já deixaram de crer no amor há muito tempo, não é? E os homens modernos...só querem sexo.
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Boa sorte, com o Anton!

2 comentários:

  1. O pior de tudo é mulher achar que o cara irá sentir tesão dessa forma escabrosa. Vc definiu muito bem o romance real mais do que moderno, rs...

    Mas olha! tirando a parte dos filhos e do cachorro, entre suor e pegadas o clima só tende a esquentar e parar embaixo do chuveiro ou em uma banheira com muito cheiro e sabores, não se pode negar que funciona mesmo, isso depende da criatividade de cada um... hahaha

    Parabéns! Adorei

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  2. Pra fugir da rotina tem que ter criatividade mesmo, senão o casamento será só mais um produto com prazo de validade determinado na prateleira de um mercado-igreja-catório qualquer...

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