segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os últimos românticos

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Há algum tempo eu vejo por aí as gurias reclamando que os homens não mandam mais flores, não abrem mais as portas dos carros e nem puxam as cadeiras para que elas se sentem. Segundo as moçoilas os homens preferem sentar no sofá para assistir o jogo de futebol nas tardes de domingo, coçando o saco, enquanto arrotam a breja geladinha, ignorando qualquer coisa que elas digam que não seja: - Amor, quer mais uma geladinha?
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Mas ao mesmo tempo também vejo gurias por aí reclamando que o namorado é muito "meloso" [a enche de poesia, música, é todo carinhoso em público] que ela precisa tomar muito Eno Guaraná pra não viver enjoada sem estar grávida. Ora, ora, são os paradoxos femininos. Elas querem um romântico não meloso. Pra mim, definitivamente elas não sabem de fato o que querem.
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Hoje em dia existem poucos românticos no mercado, primeiro porque a geração "pokemon-dragon ball Z" é a da "porrada na cara" e não da delicadeza que na maioria das vezes é caracterizada como "boiolice". Por isso, é muito complexo ser um romântico no mundo de hoje onde namoradas acham que ganhar um tênis all star converse ou uma bolsa Victor Hugo é mais negócio do que um bouquet de flores que irá durar talvez só 15 dias ou chocolates que irão engordá-las na era "Gisele Bünchen anoréxicas-bulímicas". A maioria das gurias [e quanto mais novas isso se revela mais verdadeiro] são fúteis e mimadas, desse modo não têm a mínima sensibilidade para apreciar o sabor e o aroma de um bom vinho quando uma coca-cola zero e uma barrinha de cereais supre suas exigências gastronômicas.
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Um bom romântico hoje se conseguir driblar os desafios de uma vida homogeneizada precisa aprender a usar a tecnologia a seu favor com torpedos apaixonados, e-mails, recadinhos no twitter, surpreender a amada com coisas que ela nem sequer imagine, coisas consideradas "cute" [fofas] no dizer norte-americano, mas também não esquecer que um bom jantar à luz de velas e café da manhã na cama ainda provocam um bom efeito. Conquistar a amada todos os dias e de diferentes formas eis uma grande jornada na vida de um homem apaixonado. Mas é claro que pra isso dar certo ela também precisa ser uma guria especial e isso está difícil de encontrar por aí.
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Vivemos em um mundo de desencontros, corre-corre e superficialidade de aparências que o que conta mais é a embalagem e não o conteúdo. Idolatra-se a exterioridade em nome de um olhar que não é capaz de perceber a alma e o coração do outro, só o corpo físico e por isso não se ama de verdade, apenas finge-se que ama para que a vida não pareça vazia e sem sentido. Assumir um amor de verdade [seja ele como for] é menos importante do que assumir o sexo cotidiano. E no final tudo termina se limitando à isso, aos instintos primitivos, à sexo sem amor. Como encontrar romantismo nessa realidade? Não há milagreiro que dê jeito! Nem aquelas cartomantes que prometem trazer a pessoa amada em 7 dias!
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Pensando nos trovadores de outrora, nos poetas do amor, nos jardineiros do coração...amar não é difícil se duas pessoas são capazes de se encontrar verdadeiramente. Difícil é manter a fé no amor quando tudo desmorona, mas só assim há possibilidade de romantismo.
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Nem todos os homens são canalhas, muito menos todos os canalhas são românticos, mas os últimos românticos podem ser canalhas, afinal, todo o canalha se apaixona um dia, para o bem ou para o mal de si mesmo. ;)

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